terça-feira, 14 de junho de 2011

Autobiografia - Maria José Nunes Pires Feijó




       Escrever sobre este assunto me fez lembrar coisas gostosas da minha vida que ora passo a dividir com todos. Meus pais eram professores, minha mãe alfabetizadora, e meu pai professor de Português e de Literatura, meu pai possuía uma farta biblioteca, e entre seus livros tinham coleções infantis, que hoje já não existem mais.

      Todas as noites, quando ainda não sabia ler, meu pai ou minha mãe liam para nós as histórias de Monteiro Lobato, também alguns textos contidos na coleção “O Mundo da Criança”, textos estes que até hoje sei de cor:


      E eu, morrendo de pena da flor..., E tinha ainda João e Maria, e o burrinho triste, e a raposa e os versos engraçados, quando o vovô deixa cair os óculos no balde de tinta roxa...e roxo era céu, roxo era o mar, e tudo era roxo. E tinha os discos coloridos de histórias que também deixavam a imaginação fluir, e Maria Clara Machado e tantos outros.

       Meu pai era poeta, acabei “osmoseando” a poesia, ele vivia declamando pela casa..., Já adolescente lia vorazmente: Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, Vinícius de Moraes, João Pessoa, entre outros. Numa época de revoltas e tudo mais, cheguei a representar em teatro de arena “O Bicho” de Manoel Bandeira e “E Agora José” de Carlos Drummond de Andrade. E apaixonada pela língua francesa lia Jacques Prévert, achava o máximo.Lembro a poesia que se chama “ Café da Manhã”.

...Et il a resposé la tasse
Sans me parler
Il a alumé
Une cigarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis des cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder….
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur la tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
E moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
E j’ai pleuré.

         E os clássicos que tínhamos que ler para fazer a ficha de leitura... tive então que ler Capitu para num júri simulado, defendê-la de um adultério óbvio.

      E veio a faculdade,  e as poesias  foram deixadas de lado ou ficaram em segundo plano, e os Best Sellers também, e eu acabava por acordar com os livros no rosto, tamanho era o meu cansaço, e o volume de enfadonhas leituras de empresas americanas, e Taylor e Fayol etc. Trabalhando junto, faltou tempo para a leitura, que me dava tanto prazer.

        E na UFSC já trabalhando fui redigir, redação oficial, ficando durante anos nesse “feijão com arroz” sem mais viagens...

     Trabalhando  na  Universidade Federal de Santa Catarina,   redigindo documentos oficiais lia os livros relacionados. E agora resgatando e voltando àquilo que sempre foi minha vontade, escrevo despretensiosamente e leio poesias, livros diversos, blogs e tudo que me dá prazer.

Maria José Nunes Pires Feijó – Zezé


Um comentário:

  1. Zezé,

    Que linda a tua autobiografia! Um texto muito gostoso de ser lido, remet a tempos já vividos pela turma dos idos tempos. Tu és uma poetisa!!!!

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