Sou “manezinha” e amo minha terra, um paraíso, praias, verão, baladas, atraindo turistas de toda parte do Brasil e do mundo, mas não posso deixar de constatar o crescimento desordenado que aconteceu, transformando e descaracterizando a Ilha da Magia.
Inúmeros encantos e belezas, Floripa é atualmente um dos principais destinos turísticos do país e de quem busca melhorar de vida em uma nova cidade. O futuro do paraíso, porém, está em jogo, ameaçado pelo crescimento desordenado.
Falei em descaracterização porque Floripa tinha “um quê” que era do espírito do Mané, espírito que a cidade proporcionava. Uma tranquilidade famosa, uma malandragem pura e simpática e uma calma de abrir a boca.
É óbvio que se me perguntarem se sou contra o progresso, direi que não, mas sou contra essa descaracterização, esse crescimento desordenado sem planejamento.
Fomos levando aos moldes “invejáveis” do Rio de Janeiro, a cidade que já foi uma Floripa e que tem seus principais cartões postais manchados pela sujeira, poluição e crescimento desordenado.
Floripa está sendo sepultada pelo concreto, pela derrubada das casas antigas, destruição daquelas ruelas lindas e características da colonização. Deixem o Centro da cidade, deixem as características! A “Conselheiro” e seus maravilhosos “sobradões”, isso é peça rara.
E sem falar então do verão em Floripa: turistas, manés, e habitantes foram obrigados a conviver com engarrafamentos intermináveis, falta de água em alguns bairros e de luz, preços exorbitantes de aluguéis, restaurantes. Os problemas ainda estão longe de fazer frente ao que Floripa oferece de melhor.
Em uma cidade que depende do mar para tudo, os baixos índices de saneamento são outro grave problema e ainda “casas subindo até o alto dos morros; descendo quase até o mar; e feitas em dunas, restingas, mangues”, onde vamos parar?
O tempo é este, de tentativas desesperadas para salvar a humanidade. O mundo se volta, tremendo e roendo as unhas, para as últimas reservas de água potável, últimas reservas de verde, últimas reservas de ar puro.
Floripa é um paraíso, natureza privilegiada... Paraíso? Até quando? A Natureza estava sempre aqui indefesa, tudo estava lá... Só destruímos, construindo desordenadamente, “é como se vestir de chita a Gisele Bündchen”.
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