Veneza
Janaina Santos
Talvez a melhor palavra para descrever Veneza seja mágica. Lá o tempo corre de uma maneira diferente e a luminosidade é outra, singular. Quando desci da estação de trem e olhei a cidade pela primeira vez tive um encantamento. Estavam em pleno Carnaval e todas as pessoas, incluindo os turistas pareciam envolvidos por aquela beleza encantadora e silenciosa. As luzes rosadas do céu contrastavam com o branco das pontes e com o colorido das fantasias e máscaras. Lá as pessoas adquirem um ar de mistério, envoltas em plumas e rendas, papel marché e capas.
Não há carros em Veneza e as ruas algumas vezes têm a largura de uma pessoa. Não sei se possuem nomes, mas o certo é que formam um verdadeiro labirinto e eu acho que é praticamente impossível ir duas vezes a um mesmo lugar. As lojas são espaços coloridos e encantados, vendendo sonhos e caixinhas musicais. Todos voltam a ser crianças. A cidade tem um problema sério com o lixo e você dificilmente encontrará um comerciante que lhe deixe depositar seu lixo na lixeira dele. Cada um é responsável por cuidar do que produz e isso inclui levar o lixo consigo. Os comerciantes fazem este trabalho através dos barcos, todos os dias. Isso nos faz pensar sobre o excesso de material que descartamos todos os dias.
Os táxis em Veneza andam na água, assim como os ônibus e tudo o mais. As escadas dos prédios ficam na beira do canal e é possível descer do barco e entrar em um belo museu do século XVI ou em um espaço de arte contemporânea com a fachada que mais parece uma pintura. Há carrosséis com cavalinhos e música por diversas ruas. Há boutiques famosas e lindas vitrines. Há bandas com instrumentos medievais tocando música medieval, o que para eles é música de Carnaval. Os habitantes da cidade distinguem-se dos turistas pelo silêncio. Seu Carnaval é tão silencioso quanto belo. Mulheres e homens vestem-se lindamente e ficam estáticos em uma bela pose, como manequins vivos, deixando-se fotografar. Eles também são Veneza e assim querem ser lembrados. Em Veneza fiquei quase o tempo inteiro de máscara e a grande dificuldade encontrada foi deixar aquele lugar e voltar para a vida normal. À noite, milhares de estrelas invadem a praça lotada de gente, iluminada por lindos postes e pelas luminárias das gôndolas. A ponte dos suspiros, que era o adeus dos prisioneiros e um guarda de trânsito para controlar o fluxo de pedestres são imagens únicas desta cidade italiana, com seus contrastes inusitados. As portas das casas dão para a rua e são tão misteriosas quanto as pessoas que nelas habitam. Veneza encantada. Linda e iluminada.
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