Nasci em 10 de março de 1961, na cidade de Dom Pedrito no Rio Grande do Sul, município de cognome Capital da Paz, pelo fato de que na localidade de Ponche Verde terem ocorridas as tratativas dos Farroupilhas para a pacificação do Rio Grande, que pôs fim a Revolução Farroupilha. Venho de uma família humilde, pobre financeiramente, mas muito rica em valores.
A leitura esteve sempre presente em minha vida.
Na infância era uma criança curiosa onde o mundo das historinhas infantis me fascinava e levava para um lugar perfeito, sem pobreza e sem diferenças. Onde os sonhos eram possíveis e realizáveis. Primeiro lia com os olhinhos, e depois com a alfabetização, devorava os livros de fábulas infantis.
Na escola os melhores alunos ganhavam livros de presente, em conseqüência procurava tirar as melhores notas.
Como toda criança tinha as minhas peraltices, e minha mãe costumava me deixar de castigo sem sair de casa para brincar. Mas isto não me incomodava, era o momento que mais lia, sem seleção, o que acha na frente lia, desde bulas de remédios, revistas, livros infantis ou não.
Com o passar dos anos, fiz uma carteirinha da biblioteca pública. Neste momento me interessa os clássicos brasileiros da literatura infanto juvenil, procurava ler a coleção completa de cada autor.
O ensino médio cursei em uma escola de freiras, o antigo “Normal”, seria o magistério. Começava uma nova fase, foi muito rica. Tínhamos de ler pedagogos, filósofos, psicólogos, sociólogos, enfim, a leitura era muito variada. Talvez aí tenha começado meu interesse mais direcionado para a área de humanas, apesar de já ter certeza que professora não queria ser, mas sim pesquisadora. Digo isto porque em um primeiro momento pensava em estudar química pura. Era muito sonhara, queria mudar o mundo e achava que deveria ser com ações radicais, ou grandes descobertas.
Após terminar o segundo grau vim morar em Florianópolis para fazer universidade. Na primeira tentativa não consegui, era para engenharia química, o que me fez repensar minha escolha. Procurei saber mais sobre os cursos que a Universidade Federal de Santa Catarina oferecia, e quando li sobre Ciências Sociais me identifiquei na hora, aí está a forma de mudar as pessoas e a sociedade.
O curso de Ciências Sociais exigia muita leitura, era outro palco que se descortinavas aos meus olhos e mente. Estas leituras permitiram definir exatamente o que queria. Verdadeiro fascínio.
Logo no início do curso me chamou a atenção a área de Antropologia e Arqueologia, procurei saber mais sobre elas, em especial sobre arqueologia, onde participei de pesquisas, e atuei 8 anos estudando padrões de hábitos alimentares de grupos tupi guarani em regiões subtropicais, a partir da reconstituição dos vasilhames de cerâmica feita com os vestígios encontrados nos sítios arqueológicos, no Alto Vale do Rio Uruguai.
Porém, o curso tinha despertado uma veia sócio política crítica que não queria ficar em segundo plano. Voltei-me para as políticas públicas, e consequentemente a leitura nesta área.
Com a maternidade, a leitura se estende para livros e revistas materno infantis, e começo a intensificar a leitura sobre culinária, outra paixão. Há também uma retomada da leitura infantil.
A vida é feita de fases, e hoje me defino muito mais como mãe e trabalhadora, porém sem ser imune aos problemas sociais que acontecem ao meu redor, não consigo, por exemplo, achar a violência normal.
O meu momento atual é de “ato ação”, assim tudo é lido com um olhar mais crítico, as leituras são selecionadas procurando juntar a necessidade/realidade, e o prazer.
Carmem,
ResponderExcluirA tua história me fez relembrar algumas passagens de minha infância, foi uma leitura prazerosa, e isso reforçou o que viemos discutindo sobre a leitura durante o curso. Ao lermos escapamos da literalidade do texto, colocando o texto lido em conexão com outros textos e discursos situados na realidade social, na qual estivemos ou estamos inseridos. Enfim, trazemos o texto para a vida e colocamo-lo em relação com ela.
Bete Gomes